segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Comida árabe conquista Campo Grande

Por Juliana Gonçalves
Churrasco com mandioca e shoyu, sobá, esfiha na 7, pastel do mercadão e acredite chamburack, conquistou os campo-grandenses. A influência cultural de japoneses, bolivianos, árabes, paraguaios, gaúchos, índios é muito forte na Capital e fazem da cidade o que ela é hoje, um exemplo de qualidade de vida.
Campo Grande não é apenas uma cidade de terra vermelha, ruas largas e muito verde, não tem quem venha conhecer o Estado e não se delicie com um bom churrasco com madioca e shoyo, uma verdadeira mistura de tradicões gaúchas, indígenas e japonesas que acabou caindo no gosto do campo-grandense, assim como o sobá e o tereré.
A bebida gelada feita de erva-mate é o convite para fazer uma roda entre amigos, e há quem não fique sem ela, como é o caso do estudante, Klever Xavier, de 20 anos, que aderiu ao tereré até quando esta estudando, “tem que ter algum pretesto pra juntar a galera, se eu tiver tomando em casa e meus amigos me chamarem pra tomar em outro lugar eu largo aqui e vou”. Segundo Klever, ele não tem limites para parar de tomar, vai até a água acabar.
Quem já não foi no domingo de manhã no Mercado Municipal comer um pastel? A propritária de uma banca de pastéis, Akemi Deai, de 39 anos, acredita que o segredo do sucesso e tradição do “pastel do mercadão” é a rapidez e praticidade e o cliente come todo dia e não enjoa. “As pessoas aproveitam a ida ao mercadão, para fazer compras para o almoço de domingo e comem o pastel como café da manhã, tem cliente que a gente até acha estranho quando não vem”, diz Akemi.
O comerciante Jaime Negreti, de 68 anos, que há 15 anos é freguês da banca de pastel da Akemi, lembra que no começo comprava dois, três pastéis por dia. “Eu trabalho qui na frente né, era só pedir. Meu preferido é o de queijo”, lembra.
E no boca-a-boca a comida árabe também ganhou espaço na culinária regional e virou tradição. A esfiha do Thomaz, localizada na rua 7 de setembro, completa este ano, 30 anos de história. A loja começou pequena, com receitas trazidas do Líbano e hoje se mistura à história de Campo Grande.
O proprietário, José Thomaz, com 84 anos, que veio do Líbano ainda criança, resolveu vender salgados árabes, por não aguentar mais trabalhar vendendo bebidas e aproveitou o ponto para montar uma lanchonete, hoje Thomaz fala com orgulho do empreendimento e da ajuda que recebe de seus filhos, que gerenciam a loja. “Acredito que nossa esfiha tenha se tornado conhecida por causa do nosso atendimento, desde que começei nunca usei notinhas para marcar o que as pessoas comem, elas mesmas na hora de pagar falam o que comeram, sempre foi assim e consegui crescer, não vou mudar esta forma de atendimento”, resalta.
Outro lugar que caiu no gosto do freguês para se encontrar esfihas, quibes, esfihas abertas e claro o Chamburack, pastel assado na chapa recheado com carne, é na Confeitaria árabe, também localizada na rua 7 de setembro, que tem como chamariz, além dos salgados e doces, iguarias árabes, que conquistaram clientes fiéis. Segundo Bibiane Michel Ibrahim, de 35 anos, seu pai Michel Saouma sempre tentou dar aos clientes o que eles pediam. “Até hoje minha mãe as vezes vai pra cozinha ajudar no preparo dos salgados, que devem ser feitos em tachos de cobre”, argumenta.

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